
UNIVATES NA CIÊNCIA: Alexander von Humboldt e geopoética, potencial de biogás e mais: Univates apresenta pesquisas publicadas em revistas científicas na última semana
Por Lucas George Wendt
|Postado em: 02/03/2026, 10:30:00
|Atualizado em: 02/03/2026, 13:19:59
O trabalho científico de um pesquisador é contínuo, ou seja, suas descobertas, quando observadas na totalidade, permitem compreender o conjunto do seu trabalho. É desta forma que a ciência avança: aos poucos, com cada trabalho funcionando como a peça de um quebra-cabeça que completa um cenário de pesquisa. E que pode abrir margem para mais perguntas.
Na Universidade do Vale do Taquari - Univates, diferentes equipes trabalham produzindo conhecimento científico. Entre pesquisadores e estudantes – bolsistas de iniciação científica, de mestrado e de doutorado –, são cerca de 500 pessoas diretamente envolvidas buscando na ciência as respostas para a solução de problemas coletivos e de inquietações de pesquisa individual.
A produção acontece em diferentes instâncias Univates, com destaque para os Programas de Pós-Graduação: Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD), Biotecnologia (PPGBiotec), Ensino (PPGEnsino), Ensino de Ciências Exatas (PPGECE), Ciências Médicas (PPGCM) e Tecnologia e Gestão Sustentáveis (PPGTECG).
Todos os dias as equipes de pesquisa da Univates divulgam seus achados em publicações periódicas científicas nacionais e internacionais. Semanalmente os artigos científicos mais recentes são destacados no site da Instituição.
Pesquisas publicadas recentemente
Título do texto: A integração da ciência da atribuição de eventos climáticos extremos às políticas públicas
Autoria: Pedro Minassa, Luciana Turatti
Onde foi publicado: e-Publica
Do que trata a pesquisa científica: Raros são os estudos que exploram as interfaces entre a ciência da atribuição de eventos climáticos extremos e as políticas públicas. Este artigo supre essa lacuna. A atribuição, ramo em expansão desde o início deste milênio, estabelece vínculos probabilísticos entre secas, tornados, inundações e as mudanças climáticas induzidas pelo homem, rastreando fatores, atores e impactos. Seu potencial para subsidiar políticas de mitigação e adaptação é expressivo. Adotando abordagem qualitativa, metodologia exploratória e revisão bibliográfica, o estudo: (i) apresenta três categorias analíticas (eventos extremos, ciência da atribuição e políticas públicas climáticas); (ii) mostra como elementos da atribuição vêm sendo integrados às políticas; e (iii) aponta desafios e estratégias para efetivar essa integração. Conclui que, embora a atribuição ofereça subsídios relevantes à ação pública, sua incorporação exige vencer barreiras institucionais, cognitivas e comunicacionais.
Referência: Sampaio Minassa, Pedro; Turatti, Luciana. A integração da ciência da atribuição de eventos climáticos extremos às políticas públicas. e-Publica, v. 12, n. 3, 24 nov. 2025.
Título do texto: Primeiro repositório congelado de esperma de coral no Atlântico Sudoeste: uma ferramenta para apoiar a conservação dos recifes
Autoria: Nayara Oliveira da Cruz, Andrea Giannotti Galuppo, Allison Gonçalves Silva, Luciano da Silva Lima, Romulo Batista Rodrigues, Danilo Pedro Streit Jr., Monike Quirino, Ana Paula Gonçalves Mellagi, Ivan Cunha Bustamante Filho, Tales Fabris Chaves, Leandro Godoy
Onde foi publicado: Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems
Do que trata a pesquisa científica: Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais biodiversos da Terra, mas estão declinando rapidamente devido às mudanças climáticas e outros estressores antropogênicos. A redução populacional ameaça a reprodução sexuada em espécies de corais sésseis, pois o aumento da distância entre as colônias dificulta o encontro de gametas. Quando as populações caem abaixo dos limiares críticos de densidade, a recuperação natural pode se tornar impossível, mesmo após a remoção dos estressores. O biobanco de germoplasma de corais, portanto, emergiu como uma estratégia fundamental para preservar a diversidade genética e apoiar a restauração de recifes. Este estudo desenvolveu e validou um protocolo de criopreservação para espermatozoides do coral construtor de recifes endêmico brasileiro Mussismilia harttii, representando um marco na conservação de corais no Atlântico Sudoeste. Os espermatozoides foram expostos a dimetilsulfóxido (DMSO) e metanol (MeOH) em concentrações de 10%, 15% e 20% e submetidos a congelamento lento controlado e congelamento ultrarrápido. Análises pós-descongelamento avaliaram a motilidade, a atividade mitocondrial e a viabilidade. Os melhores resultados foram obtidos com 20% de DMSO e congelamento lento controlado, resultando em 29,7% ± 0,84% de motilidade e 83,6% ± 2,2% de viabilidade. A atividade mitocondrial (ensaio MTT) foi maior com 15% de MeOH (1,63 ± 0,17) do que com DMSO (0,74 ± 0,17). O esperma criopreservado (20% de DMSO + congelamento lento) atingiu uma taxa de fertilização de 100%, estatisticamente equivalente ao esperma fresco (p = 0,4533). Este protocolo otimizado possibilitou o estabelecimento do primeiro repositório de esperma de coral no Atlântico Sul, que atualmente armazena 2,4 bilhões de espermatozoides viáveis de M. harttii. Este repositório fornece um recurso crucial para salvaguardar a diversidade genética, fortalecer programas de reprodução assistida e aprimorar a capacidade de conservação e restauração a longo prazo dos recifes de coral brasileiros.
Referência: CRUZ, Nayara Oliveira da et al. First Frozen Repository for Coral Sperm in the Southwestern Atlantic: A Tool to Support Reef Conservation. Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, v. 35, n. 12, p. e70270, 2025. DOI: https://doi.org/10.1002/aqc.70270
Título do texto: Potencial de Biogás (PBB) e de Biometano (PBM) da vinhaça obtida de uma usina sucroenergética do estado do Maranhão, Brasil
Autoria: José Silva Machado, Joice Mörs, Romualdo Júlio Cavalcante Wanderley, Claudionor de Oliveira Silva, Luana Trevisan Junqueira, Camila Naiele Giovanella Stacke, Fernanda Leonhardt, Odorico Konrad
Onde foi publicado: Revista Delos
Do que trata a pesquisa científica: A crescente demanda por energia renovável reforça a necessidade de valorizar os resíduos agroindustriais dentro de uma estrutura de economia circular. A vinhaça, um efluente de alta carga orgânica proveniente da produção de etanol, representa um desafio ambiental significativo se descartada inadequadamente, mas possui considerável potencial para recuperação de bioenergia. Este estudo teve como objetivo determinar o Potencial Bioquímico de Biogás (PBB) e o Potencial Bioquímico de Metano (PBM) da vinhaça proveniente de uma usina de processamento de cana-de-açúcar no estado do Maranhão, Brasil, sob condições mesofílicas. Os experimentos foram conduzidos em triplicata em reatores em batelada, seguindo a norma alemã VDI 4630. Os resultados demonstraram uma forte correlação positiva entre o teor de Sólidos Voláteis (SV) e o rendimento de metano. O melhor desempenho foi alcançado com um TRH de 23 dias e um teor de SV de 83,18%, resultando em um PBB de 781,77 ± 39,43 NmL·gSV⁻¹ e um PBM de 398,89 ± 19,37 NmL·gSV⁻¹. Esses valores superam os reportados em diversos estudos anteriores para digestão de vinhaça, destacando a alta biodegradabilidade da vinhaça do Maranhão. Os resultados confirmam a viabilidade técnica da digestão anaeróbia para este efluente na região estudada, apoiando sua integração como uma estratégia sustentável para a geração de energia renovável dentro do setor sucroenergético.
Referência: MACHADO, José Silva et al. Potencial de Biogás (PBB) e de Biometano (PBM) da vinhaça obtida de uma usina sucroenergética do estado do Maranhão, Brasil. REVISTA DELOS, v. 18, n. 74, p. e7710-e7710, 2025. DOI: https://doi.org/10.55905/rdelosv18.n74-197
Título do texto: A inclusão de alunos com transtorno do espectro autista no ensino de matemática: desafios e possibilidades no ensino fundamental II
Autoria: Nilson Santos Costa, Adriana Moraes Gomes, Jessica Martins de Oliveira, Hercília Maria de Moura Vituriano, Jacy Pires dos Santos, Walter Reis Cabral
Onde foi publicado: ERR01
Do que trata a pesquisa científica: Existem distâncias, entre o avanço do marco legal da educação inclusiva e as práticas efetivamente desenvolvidas nas escolas, especialmente nas aulas de Matemática. Diante desse contexto, este estudo tem por objetivo analisar os desafios e as possibilidades da inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino de Matemática no Ensino Fundamental II. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e caráter exploratório-descritivo, com análise de produções científicas, documentos oficiais e estudos empíricos nacionais e internacionais, organizados em categorias temáticas referentes a barreiras, estratégias pedagógicas e condições institucionais. Observa-se que a inclusão de estudantes com TEA ainda é marcada por insegurança docente, lacunas na formação inicial e continuada, insuficiência de recursos e predomínio de metodologias tradicionais, embora se identifiquem experiências de sucesso mediadas por abordagens visuais, materiais concretos, rotinas estruturadas, tecnologias assistivas e planejamento colaborativo. Concluindo que a efetivação da inclusão em Matemática, requer investimento sistemático em formação docente, flexibilização curricular, melhoria das condições de trabalho e fortalecimento de práticas pedagógicas inclusivas, de modo que o ensino de Matemática se constitua como espaço de participação, aprendizagem significativa e respeito à diversidade para todos os estudantes
Referência: COSTA, Nilson Santos; GOMES, Adriana Moraes; OLIVEIRA, Jessica Martins de; VITURIANO, Hercília Maria de Moura; SANTOS, Jacy Pires dos; CABRAL, Walter Reis. A inclusão de alunos com transtorno do espectro autista no ensino de matemática: desafios e possibilidades no Ensino Fundamental II. ERR01, [S. l.], v. 10, n. 6, p. e10527, 2025. DOI: https://10.56238/ERR01v10n6-074.
Autoria: Marcos Henrique Gomes Ribeiro, Vinicius Duarte Soroka, Odorico Konrad, Maria Cristina de Almeida Silva, Antônio Domingues Benetti
Onde foi publicado: International Journal of Environmental Research
Do que trata a pesquisa científica: Os antibióticos representam um desafio para os processos convencionais de tratamento de águas residuais, que geralmente têm capacidade limitada para removê-los. O consumo elevado e indiscriminado, aliado ao descarte inadequado, é a forma como esses compostos chegam ao meio ambiente. A digestão anaeróbia (DA) é um processo biológico que pode ser utilizado como alternativa para a remoção de antibióticos das águas residuais. Além da eliminação dos compostos, outras vantagens da DA são a recuperação do biogás produzido durante o processo para fins energéticos, juntamente com a redução das emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera. Apesar do seu potencial, ainda há necessidade de mais estudos sobre a remoção de antibióticos por meio de processos biológicos como a DA. O objetivo deste estudo foi avaliar a DA na degradação dos antibióticos sulfametoxazol (SMX) e norfloxacina (NOR). Reatores em batelada foram utilizados sob condições operacionais controladas. Reatores contendo diferentes concentrações de antibióticos, bem como misturas de antibióticos, foram avaliados. Os parâmetros operacionais de produção cumulativa de biogás, potencial bioquímico de metano, percentual de metano no biogás, ácidos graxos voláteis, demanda química de oxigênio e remoção de antibióticos da fase aquosa foram analisados. Os resultados indicaram que o tipo e a concentração de antibióticos influenciaram a produção cumulativa de biogás. Os maiores valores de produção cumulativa de biogás e potencial bioquímico de metano foram observados em reatores com mistura de antibióticos. A porcentagem de metano no biogás permaneceu dentro da faixa considerada normal para todas as amostras. A concentração de SMX não influenciou a taxa de remoção, enquanto que, para NOR, observou-se uma redução na taxa de remoção da fase aquosa com o aumento da concentração.
Referência: GOMES RIBEIRO, Marcos Henrique et al. Evaluation of Anaerobic Digestion of Antibiotics in Batch Reactors: Effect on Methane and Biogas Production, Operating Parameters and Aqueous Phase Removal Efficiency. International Journal of Environmental Research, v. 20, n. 1, p. 27, 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s41742-025-00986-2
Título do texto: Levantamento de produtos educacionais: interfaces entre ensino de astronomia e ensino por investigação
Autoria: Eduardo Nunes Silva, Sônia Elisa Marchi Gonzatti, João Batista Siqueira Harres
Onde foi publicado: Anais do VII Simpósio Nacional de Educação em Astronomia
Do que trata a pesquisa científica: O Ensino de Astronomia tem se destacado na Educação Básica brasileira, tanto por seu potencial de encantamento quanto por sua importância na formação científica dos estudantes. Paralelamente, o Ensino por Investigação, conforme defendido por Carvalho (2013) e por Sasseron e Carvalho (2008), tem se consolidado como uma abordagem que promove a problematização, o protagonismo estudantil e a construção ativa do conhecimento. Inserido nesse contexto, este trabalho, que compõe a etapa preliminar de uma tese de doutorado, tem como objetivo analisar Produtos Educacionais (PE) desenvolvidos em programas de pós-graduação stricto sensu, na modalidade profissional, que articulem o Ensino de Astronomia à perspectiva investigativa. A pesquisa, de natureza qualitativa e caráter bibliográfico, teve como fonte a plataforma EduCapes, considerando o período de 2004 a 2025. Utilizou-se duas estratégias de busca: uma com filtros cruzados e outra com o operador booleano AND. Após aplicação de critérios de inclusão e exclusão, foram identificados 26 Produtos Educacionais únicos, dos quais nove foram selecionados para análise neste trabalho. O modelo de análise foi inspirado por Rizzatti et al. (2020), que definem estes materiais como o resultado tangível das pesquisas acadêmicas com foco na Educação Básica. Foram analisados aspectos como intencionalidade pedagógica, estratégias didáticas propostas e aplicabilidade dos materiais. Também foi analisada a formação dos autores, predominando licenciados em Física com mestrado profissional em Ensino de Física. Para mapear os conteúdos astronômicos abordados nos materiais, utilizou-se a proposta de classificação temática desenvolvida por Iachel, Conti e Piratelo (2022). Os temas mais recorrentes foram História da Astronomia e Interações Sol-Terra-Lua. Por outro lado, tópicos como Astrobiologia e Cosmologia ainda permanecem ausentes nestes materiais. Conclui-se que os PE analisados oferecem importantes contribuições ao ensino de Astronomia, sobretudo quando fundamentados no Ensino por Investigação, e servem de base para o desenvolvimento de novos materiais voltados à Educação Básica.
Referência: SILVA, Eduardo Nunes; GONZATTI, Sônia Elisa Marchi; HARRES, João Batista Siqueira. Levantamento de produtos educacionais: interfaces entre ensino de astronomia e ensino por investigação. In: Simpósio Nacional de Educação em Astronomia., 7., 2025, Londrina, PR. Anais [...]. Londrina: [s.n.], 2025.
Título do texto: A Terra como texto: Humboldt e os gestos inaugurais de uma geopoética
Autoria:
Onde foi publicado: Revista GeoTextos
Do que trata a pesquisa científica: Este texto tem como objetivo localizar, na literatura científica, elementos que contribuam para a construção de uma base interpretativa da dimensão geopoética presente na obra e nas atitudes de Alexander von Humboldt. Partimos da hipótese de que seu pensamento, atravessado pelo espírito do Romantismo, articula ciência, sensibilidade e estética de modo singular, abrindo caminhos para uma compreensão poética da Terra. Para isso, adotamos uma abordagem metodológica qualitativa, fundamentada no estudo de caso do autor e em uma revisão bibliográfica narrativa. A escolha dessas estratégias permite uma leitura aprofundada e sensível das contribuições humboldtianas, especialmente no que tange à maneira como o autor percebe, descreve e relaciona-se com a natureza. Influenciado por pensadores românticos como Goethe e Schelling, Humboldt propõe uma ciência que se aproxima da arte e da experiência estética, construindo uma escrita na qual os dados empíricos convivem com o lirismo e a admiração. Ao considerar a natureza como totalidade viva e interconectada, sua obra configura-se como uma cartografia sensível do mundo, em que o conhecimento emerge do espanto e da relação afetiva com o espaço. Assim, Humboldt pode ser compreendido não apenas como cientista, mas como um precursor do que hoje se nomeia geopoética.
Referência: VALANDRO, Jean Michel; WENDT, Lucas George. A Terra como texto: Humboldt e os gestos inaugurais de uma geopoética. GeoTextos, v. 21, n. 2, p. 13–40, dez. 2025.
Na imagem de capa: Humboldt e seu colega cientista Aimé Bonpland perto da base do vulcão Chimborazo, pintura de Friedrich Georg Weitsch - Crédito - Reprodução - Wikimedia Commons

