Pesquisa

Estudo revela desigualdade social em áreas de risco no RS

Por Laura Alexandre Correa

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Postado em: 26/05/2026, 14:30:28

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Atualizado em: 26/05/2026, 14:32:00

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Em dois municípios gaúchos marcados por enchentes, movimentos de massa e ocupação urbana desigual, a pesquisa “Vulnerabilidade em Áreas de Risco e Desastre nos Municípios de Novo Hamburgo e Estrela, Rio Grande do Sul”  aborda um problema que vai além da geografia: a vulnerabilidade social. Comparando Novo Hamburgo e Estrela, as pesquisadores Karla Petry, geóloga, e Fernanda Maciel, arquiteta e urbanista,  e os professores da Universidade do Vale do Taquari- Univates  Neli Teresinha  Galarce Machado e Eduardo Périco  mostram que os riscos naturais se tornam mais graves quando encontram comunidades com infraestrutura precária, baixa renda e fragilidade social. 

A pesquisa foi realizada a partir de dados do Censo Demográfico de 2010, o que permitiu uma análise da realidade socioeconômica dos dois municípios. Ao todo, foram avaliados 11 indicadores, organizados em três dimensões: infraestrutura urbana, capital humano e trabalho e renda. Com base nesses elementos, os pesquisadores construíram um índice capaz de mensurar a vulnerabilidade social e compará-la em diferentes partes da cidade. O método adotado permitiu aproximar estatísticas da vida cotidiana, traduzindo números em situações concretas de desigualdade e risco.

Um dos diferenciais do estudo é o recorte utilizado. Em vez de analisar apenas o município como um todo, os pesquisadores compararam os indicadores gerais com aqueles observados em regiões localizadas em áreas de risco mapeadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Essa estratégia possibilitou uma leitura mais precisa da desigualdade territorial, evidenciando como a vulnerabilidade se distribui dentro da própria cidade. Assim, foi possível enxergar que, dentro de um mesmo município, existem “duas realidades”: áreas com melhores condições de vida e regiões onde a população está mais exposta tanto à pobreza quanto aos desastres.

Resultados da pesquisa 

Em Novo Hamburgo, os resultados mostram que a vulnerabilidade social nas áreas de risco está acima da média municipal. Isso significa que, justamente onde o território é mais suscetível a enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos, concentram-se famílias com menor renda, menor acesso a serviços e piores condições de moradia. Periferias, encostas ocupadas de forma irregular e regiões com infraestrutura deficitária se sobrepõem aos mapas de risco, evidenciando um padrão histórico de exclusão territorial. A população que vive nesses locais, em geral, tem menos recursos para se proteger, se deslocar em situações de emergência ou reconstruir a vida depois de um desastre.

Já em Estrela, o cenário encontrado foi diferente. De modo geral, os setores de risco apresentaram índices de vulnerabilidade menores do que a média do município, ainda que persistam indicadores sociais que os pesquisadores indicam como preocupantes nessas áreas. Ou seja, as regiões sujeitas a enchentes e outros eventos naturais não são, necessariamente, as mais pobres do município, embora não estejam livres de fragilidades. Isso indica que, em Estrela, a relação entre risco ambiental e vulnerabilidade social é menos direta e linear do que em Novo Hamburgo, e precisa ser entendida à luz da história de ocupação e das escolhas urbanísticas feitas ao longo do tempo.

A diferença entre os dois casos ajuda a entender que desastre natural não é apenas resultado da chuva, da enchente ou do deslizamento. O impacto depende também de como a cidade foi construída, de quem foi empurrado para as margens e de quanto o poder público investiu em infraestrutura ao longo do tempo.

O estudo aponta que os melhores índices de vulnerabilidade aparecem nos núcleos urbanos mais antigos dos dois municípios. Em Novo Hamburgo, isso se relaciona ao centro e a áreas mais valorizadas; em Estrela, ao núcleo histórico, que acabou coincidindo com a planície de inundação do rio Taquari.

A pesquisa também chama atenção para um ponto importante: as áreas de risco surgem por condições ambientais naturais, mas a ocupação urbana pode agravar ou reduzir seus efeitos. Isso significa que planejamento urbano, moradia adequada e infraestrutura básica são decisivos para diminuir danos futuros.

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