Vale do Taquari

Outono de 2026 no Vale do Taquari deve ter temperaturas acima da média e chuvas irregulares

Por Lucas George Wendt

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Postado em: 24/03/2026, 07:45:00

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O outono de 2026 no Vale do Taquari começou oficialmente no dia 20 de março, às 11h45, marcando o equinócio que equilibra a duração entre dias e noites no planeta. A estação, que se estende até 21 de junho, deve apresentar um comportamento climático típico de transição, mas com algumas particularidades: temperaturas ligeiramente acima da média histórica, chuvas abaixo do normal no início e maior irregularidade na distribuição das precipitações ao longo dos meses. As projeções, elaboradas pelo Núcleo de Informações Hidrometeorológicas da Universidade do Vale do Taquari - Univates, indicam um cenário que exige atenção tanto de produtores rurais quanto de gestores públicos e da população em geral.

Características do outono

Durante o outono, é natural que ocorra uma redução gradual da duração dos dias e o aumento das noites, acompanhados por uma diminuição progressiva da incidência de radiação solar. Esse processo influencia diretamente o comportamento térmico e atmosférico da região. No Vale do Taquari, a estação é historicamente marcada por grande variabilidade térmica, com alternância frequente entre dias quentes e noites mais frias, padrão que deve se repetir em 2026, com amplitudes térmicas diárias significativas, reforçando a característica de instabilidade típica do período. 

Um dos principais fatores que ajudam a explicar o comportamento climático previsto para este outono é a condição atual dos oceanos, especialmente no Oceano Pacífico Equatorial. Após um período sob influência do fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas superficiais, o sistema climático global passa por uma transição para uma fase de neutralidade. Essa mudança reduz a influência direta dos fenômenos clássicos do El Niño–Oscilação Sul (ENSO) sobre o clima do Sul do Brasil e abre espaço para a atuação de outros padrões atmosféricos, como a Oscilação Antártica, dinâmica que pode afetar a intensidade e a frequência das frentes frias, bem como a penetração de massas de ar polar na região.

Na prática, significa que o comportamento do clima tende a ser menos previsível do que em anos dominados por El Niño ou La Niña. A ausência de um padrão dominante favorece uma maior variabilidade, com episódios alternados de calor, frio e chuva, muitas vezes concentrados em curtos períodos.

Precipitação 

No que diz respeito à precipitação, a tendência para o trimestre é de volumes ligeiramente abaixo da média climatológica, que gira em torno de 406,2 milímetros para o período. Abril, tradicionalmente o mês mais seco do ano na região, deve manter essa característica, com menor frequência de chuvas e períodos mais prolongados de tempo firme, em um cenário pode favorecer atividades agrícolas como a colheita, mas também exige atenção quanto à disponibilidade hídrica, especialmente em propriedades que dependem diretamente das condições climáticas.

A irregularidade das chuvas é outro ponto de destaque. Em vez de precipitações bem distribuídas ao longo dos meses, o que se espera é uma alternância entre dias consecutivos sem chuva e episódios pontuais de precipitações mais intensas. O padrão pode aumentar o risco de eventos localizados de alagamentos e enxurradas, mesmo em um contexto de volumes totais abaixo da média. Já nos meses de maio e junho, a tendência é de aumento gradual das chuvas, com acumulados mais próximos da normal climatológica, embora ainda sujeitos a variações espaciais e temporais.

Temperaturas

Em relação às temperaturas, os modelos climáticos indicam que o outono de 2026 deve ser, em média, mais quente do que o habitual, o que não significa ausência de frio, mas sim que os episódios de temperaturas mais baixas tendem a ser mais curtos e menos persistentes. O início da estação deve manter características ainda próximas ao verão, com dias quentes, sensação de abafamento e possibilidade de pancadas de chuva isoladas. A atuação de massas de ar quente deve predominar especialmente ao longo de abril, dificultando a entrada de sistemas de ar frio mais intensos. 

Ao longo de maio, espera-se uma transição gradual para condições mais típicas do outono, com redução das temperaturas, dias mais curtos e menor radiação solar. Ainda assim, o frio mais intenso deve demorar a se estabelecer. As projeções indicam que a primeira incursão mais efetiva de ar polar deve ocorrer entre o final de maio e o início de junho, evento que pode ser entendido como o marco inicial de episódios mais consistentes de frio na região e favorecer a ocorrência das primeiras geadas do ano, especialmente em áreas de baixada e regiões com maior altitude.

Outros fenômenos associados à estação

A possibilidade de geadas é um dos pontos que mais preocupam o setor agrícola. Embora não devam ocorrer de forma precoce ou generalizada, sua incidência a partir do final do outono pode impactar culturas sensíveis ao frio. Por outro lado, a ocorrência de geadas também pode ser benéfica para determinadas culturas de inverno, contribuindo para o controle natural de pragas.

Outro fenômeno típico do outono que deve marcar presença no Vale do Taquari é a formação de nevoeiros e neblinas, especialmente durante as madrugadas e nas primeiras horas da manhã, condições que reduzem a visibilidade em rodovias e áreas urbanas, aumentando o risco de acidentes e exigindo maior cautela por parte de motoristas. 

A atuação de ciclones extratropicais também é uma característica comum desta época do ano. Estes, são sistemas que se formam a partir do contraste entre massas de ar frio e quente e podem provocar ventos intensos e chuvas significativas, especialmente quando se desenvolvem próximos à costa do Sul do Brasil. Embora muitos desses sistemas permaneçam sobre o oceano, sem afetar diretamente o continente, alguns podem ter impactos relevantes, dependendo de sua trajetória e intensidade.

Como funciona a previsão do tempo do NIH? 

A previsão do tempo é organizada a partir da compilação das informações disponíveis em diferentes portais de clima e tempo, além do acompanhamento de variáveis meteorológicas registradas pela estação meteorológica da Univates, de Lajeado, e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)

Para isso, o setor consulta as mais variadas fontes, como: imagens do satélite meteorológico GOES 16 e modelos numéricos disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), imagens de radar meteorológico divulgadas pela Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (Redemet), mapas de previsão do tempo do National Centers for Environmental Prediction (NCEP/NOAA) e do Windy.

O NIH 

O Núcleo atua nas áreas de meteorologia e hidrologia. Suas atividades consistem no monitoramento de elementos meteorológicos e hidrológicos, elaboração da previsão do tempo e transmissão dessas informações para veículos de comunicação da região. 

O NIH também acompanha alertas meteorológicos e hidrometeorológicos emitidos pelos sites do Inmet, Inpe e Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). 

Além disso, as variáveis meteorológicas obtidas pela estação meteorológica instalada no campus da Univates, em Lajeado, formam um banco de dados de 19 anos, que pode ser utilizado tanto pelo público acadêmico quanto pelo privado.

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